terça-feira, 11 de novembro de 2014
segunda-feira, 10 de novembro de 2014
Amanhã, quem quer encontrar-se com o S. Martinho?
Dia 11, dia de S .Martinho, 3ª feira, às 9h.55, no pátio do 2º piso, ao som familiar do crepitar da castanha, o lume do assador aquece o ambiente, proporcionando a partilha e o convívio entre toda a comunidade educativa da nossa escola.
Fazendo jus à tradição, abrace a ideia de ficarmos cada vez mais juntos.
Atividade de articulação
Biblioteca Escolar e Projeto "ÉS"
Objetivos:
- Conhecer tradições associadas à literatura popular e profissões antigas
- Conhecer os benefícios da castanha na alimentação ao longo da história
- Promover hábitos de alimentação saudáveis
Turmas que assistem à conferência
Turmas
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Professores
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9º 1ª
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Cristina Martins
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11º PI
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Cristina Ferreira
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11º PQ
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Edite Fiusa
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12º PI
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Cidália Magalhães
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Os alunos e os funcionários receberão, gratuitamente, as suas castanhas, oferecidas pela Junta de Freguesia de Alcântara.
Nota: pede-se aos professores que, antes da saída da sala de aula (às 9h.55), leiam a "Lenda de S.Martinho" aos seus alunos.
Depois, dirigem-se, por favor, ao 2º piso e recolhem a caixa das castanhas (identificada com o ano e turma).
Agradece-se, no entanto, que a distribuição dos pacotes seja feita, quando o S. Martinho chegar, pois é "simpático" que esperemos por ele...
Os professores comem castanhas com um "descontinho"...
Contamos com todos!
para além dos olhos...
sexta-feira, 7 de novembro de 2014
"Dia de portas abertas", domingo, na Fundação Calouste Gulbenkian - APROVEITE!
Coro da Gulbenkian celebrou meio século
A festa do cinquentenário prossegue, no domingo, na Fundação, "num dia de portas abertas", em que também participam o Coro do Teatro Nacional de São Carlos, o da Academia de Música de Santa Cecília, o Coral de Letras da Universidade do Porto, os Coros de Câmara da Escola Superior de Música de Lisboa e do Instituto Gregoriano de Lisboa e dois coros infantis, fechando a jornada o Coro Gulbenkian, dirigido por Jorge Matta.
As comemorações culminam, no próximo dia 30, num concerto aberto em que cerca de duas centenas e meia de pessoas vão juntar-se ao Coro Gulbenkian, para a interpretação da "Carmina Burana", de Carl Orff, sob a direcção de Paul McCreesh.
Escrito por Nuno Lopes/Lusa
Dia(s) do Desassossego - Saramago e Pessoa nas ruas de Lisboa
De 15 a 17 de novembro Lisboa será palco de uma série de actividades que marcam a terceira edição do Dia do Desassossego, uma iniciativa da Fundação José Saramago que conta este ano, pela primeira vez, com a parceria da Casa Fernando Pessoa. Leituras de textos, concertos, visitas às casas que mantêm vivos os espíritos dos escritores, juntam-se à apresentação de uma revista académica e a um percurso pedestre pela cidade de O Ano da Morte de Ricardo Reis, que é também a da vida de Pessoa.
quinta-feira, 6 de novembro de 2014
Romance Prémio Goncourt para escritora francesa Lydie Salvayre
A escritora francesa Lydie Salvayre venceu, hoje, o prémio Goncourt, o mais prestigiado galardão literário francês, com um romance sobre a Guerra Civil de Espanha, ultrapassando os dois grandes favoritos, o argelino Kamel Daoud e o francês David Foenkinos.
Romance e Novela Ana Margarida de Carvalho vence Grande Prémio
O livro 'Que Importa a Fúria do Mar', de Ana Margarida de Carvalho, é o vencedor do Grande Prémio de Romance e Novela, da Associação Portuguesa de Escritores.

Sinopse
Numa madrugada de 1934, um maço de cartas é lançado de um comboio em andamento por um homem que deixou uma história de amor interrompida e leva uma estilha cravada no coração. Na carruagem, além de Joaquim, viajam os revoltosos do golpe da Marinha Grande, feitos prisioneiros pela Polícia de Salazar, que cumprem a primeira etapa de uma viagem com destino a Cabo Verde, onde inaugurarão o campo de concentração do Tarrafal.
Dessas cartas e da mulher a quem se dirigiam ouvirá falar muitos anos mais tarde Eugénia, a jornalista encarregada de entrevistar um dos últimos sobreviventes desse inferno africano e cuja vida, depois do primeiro encontro com Joaquim, nunca mais será a mesma. Separados pelo tempo, pelo espaço, pelos continentes, pela malária e pelo arame farpado, os destinos de Joaquim e Eugénia tocar-se-ão, apesar de tudo, no pêlo de um gato sem nome que ambos afagam e na estranha cumplicidade com que partilham memórias insólitas, infâncias sombrias e amores decididamente impossíveis.
Que Importa a Fúria do Mar é um romance de estreia com uma maturidade literária invulgar que coloca, frente a frente, duas gerações de um Portugal onde, às vezes, parece que pouco mudou. Brilhante no desenho dos protagonistas e recorrendo a um estilo tão depressa lírico como despojado, a obra foi finalista do Prémio LeYa em 2012.
Que Importa a Fúria do Mar de Ana Margarida Carvalho
Dessas cartas e da mulher a quem se dirigiam ouvirá falar muitos anos mais tarde Eugénia, a jornalista encarregada de entrevistar um dos últimos sobreviventes desse inferno africano e cuja vida, depois do primeiro encontro com Joaquim, nunca mais será a mesma. Separados pelo tempo, pelo espaço, pelos continentes, pela malária e pelo arame farpado, os destinos de Joaquim e Eugénia tocar-se-ão, apesar de tudo, no pêlo de um gato sem nome que ambos afagam e na estranha cumplicidade com que partilham memórias insólitas, infâncias sombrias e amores decididamente impossíveis.
Que Importa a Fúria do Mar é um romance de estreia com uma maturidade literária invulgar que coloca, frente a frente, duas gerações de um Portugal onde, às vezes, parece que pouco mudou. Brilhante no desenho dos protagonistas e recorrendo a um estilo tão depressa lírico como despojado, a obra foi finalista do Prémio LeYa em 2012.
Que Importa a Fúria do Mar de Ana Margarida Carvalho
terça-feira, 4 de novembro de 2014
De Professor para Professor
“Ser professor,
(Porque tudo na vida tem dois lados)
É privilégio de ser um ator
No palco de um colégio
E fazer cenas de amor
Tornar-se autor,
Mágico e aprendiz
Fazer contas, contos e poesias
Trazer o mundo e a vida
Na ponta de seu giz.
Ser professor,
É não morrer jamais
É renovar a vida
Em cada dia,
Em cada aula,
Em cada aluno,
É aprender sempre
Cada dia mais.
Nada pode ser maior
Do que, sempre insatisfeito,
Querer sempre ser melhor
E fazer tudo direito
Estudar, ler, pesquisar
E nunca estar satisfeito
Isso não é dado a todos
Só alguns têm o direito.
Porque ser professor
É ser um misto de tudo
De ator, de mago, de autor
De piloto, estudante, condutor
E ser quase certo,
Meio louco ou seja lá o que for
Mas antes e acima de tudo
É um OPÇÃO DE AMOR !”
Leo Akio Yokoyama
segunda-feira, 3 de novembro de 2014
domingo, 2 de novembro de 2014
No dia Mundial da Música, dia 1 de outubro, na nossa Biblioteca Escolar...
A nossa Biblioteca divulgou, envolveu, articulou e avaliou...
Alunos do 11º e 12º PQ
![]() |
| Autora do cartaz - Prof. Fátima Ponte |
Atividades: Visionamento do filme "Os Coristas"
Ilustração do painel "A Música é a arte dos Sons"
Objetivos:
- Desenvolver um trabalho articulado entre a Biblioteca Escolar e as disciplinas de português e de área de
integração
- Sensibilizar os alunos para os benefícios da música
|
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| Elaboração do Painel -"A Música é a Arte dos Sons" |
| As professoras Elsa Matos e Fátima Ponte incentivam os alunos do 11ºPQ. |
| Alunos do 11º PQ |

sábado, 1 de novembro de 2014
26ª Temporada de Música em São Roque... não perca esta oportunidade...
Entre 17 de outubro e 9 de novembro, a Santa Casa da Misericórdia promove mais uma edição da Temporada de Música de São Roque, sob a direção artística de Filipe Carvalheiro.
O cartaz é constituído por 12 concertos: Sofia Lourenço, Ensemble Bonne Corde, Arte Mínima, Capella Sanctae Crucis, Trio Pangea, Ludovice Ensemble, Coro Gregoriano de Lisboa e o Ensemble MPMP. Revela igualmente jovens talentos, com a apresentação da Escola de Música da Nossa Senhora do Cabo e da Escola de Música do Conservatório Nacional.
Nesta temporada, que pretende atrair novos públicos, o Mosteiro de Santos-o-Novo e o Convento de São Pedro de Alcântara juntam-se aos cenários privilegiados da Igreja e ao Museu de São Roque. Habitualmente encerrados, estarão abertos ao público antes dos concertos, para visitas guiadas.
A programação deste ano alia, assim, o contínuo apoio à difusão da música portuguesa, antiga e contemporânea, à descoberta do relevante património arquitetónico e artístico da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa.
para os alunos do 9ºano
Após a leitura do conto "A torre da má hora" de Manuel da Fonseca, prepara-te para a sua leitura orientada.
LEITURA ORIENTADA - 1ª parte
1- Fixa a tua atenção no plano narrativo que se desenrola no "lancil do largo".
1.2- Identifica as personagens que se encontram no largo.
1.3- Classifica-as quanto ao relevo que têm na ação.
1.4- Campanelo é um bom contador de histórias. Em que consiste a sua técnica?
1.5- Que elementos do espaço físico são observáveis a partir do largo?
1.6- Situa no tempo o episódio do largo.
1.7- O tempo e o espaço referidos terão influência nas reacções das crianças? Justifica a tua opinião.
Quem foi Manuel da Fonseca?
Nasceu em Santiago do Cacém, Alentejo, no dia 15 de outubro de 1911.
Tendo vindo estudar para Lisboa, dedicou-se ao jornalismo e à literatura.
Nos seus livros recriou os ambientes que viveu na infância e adolescência, no espaço rural alentejano...
Saiba mais, através do link: http://www.vidaslusofonas.pt/manuelfonseca.htm
Conheça mais um conto de um grande escritor português, Manuel da Fonseca.
"A Torre da Má Hora"
Debaixo das estrelas, sentado no lancil do largo, Campanelo conta a história da Torre da Má Hora e os meninos estão, de roda, escutando. E, enquanto a sua fala vagarosa arrasta todos para longe, tira do bolso da jaqueta a onça e o livro de mortalhas e enrola um cigarro.
Os olhos das crianças abrem um silêncio tão grande que só se ouve a voz do homem e o dobrar do papel nos dedos grossos.
Voz e cigarro, vai tudo vagaroso, sem pressas, porque a história ainda está no princípio, assim como a noite. E pára, soprando a primeira fumaça. Agora mesmo espalmou as mãos sobre os joelhos dobrados e deixou os meninos mexerem-se, chegarem-se mais para perto, nervosos, adivinhando que a história vai tomar-lhes todo o interesse.
Aos olhos e ouvidos abertos, Campanelo demora as sílabas:
- Ora a fada disse: "Só lá há-de chegar quem para trás não olhar!..." Ia, pois, o menino andando, andando, quando avistou, a uma grande lonjura, a Torre da Má Hora!... muito alta e negra!...
Neste momento, a Lua, rompendo por detrás das muralhas do castelo, ilumina o largo. Os rapazinhos olham a Lua, a sombra das ruas e a cal branca das casas espantadas, na noite quieta.
ó o rapazinho do bibe preto fica imóvel - esguia e negra, nos seus olhos, desenha-se a Torre da Má Hora.
E se ele olhasse para trás com medo dos gemidos e dos vultos que andavam na floresta?...Campanelo, se ele olhasse para trás?
O homem, tirando o cigarro da boca, alonga a voz:
- Ficava transformado numa estátua de pedra como o Príncipe Sem Coração. Olhar para trás e ter medo!
Como o homem se calasse tão bruscamente, o rapazinho faz estremecer os outros com a sua grande ansiedade:
- Continua lá, continua lá, Campanelo!
E vem-lhe à ideia - só agora, depois de tanta vez ouvir o Campanelo - que a sua vida é tal qual como a do menino que não tinha pai nem mãe e ia sozinho pelo mundo. Parece-lhe que outra voz lhe está soprando ao ouvido um cicio triste e lento...
Como os companheiros do largo, cresceu ao deus-dará. Decorou tudo, léguas em redor da vila, correndo estradas e caminhos velhos, atravessando renques de piteiras que cercam as vinhas, à mercê de um tiro de sal pelas pernas. E nem os muros altos, com os cães de guarda ladrando dentadas, defendiam o que houvesse para lá da sua curiosidade. Só quando subia às árvores na mira de ninhos e descobria algum, tão pequeno, com quatro biquinhos abertos, sequer lhe tocava e logo o esquecia, baloiçando nos ramos, feliz de se ver tão alto. E, nos barrancos, desertos por longe da vila, descobria esconderijos tão disfarçados e fáceis que, quando jogava aos "guardas e ladrões" (ele era sempre "ladrão"), nenhum "guarda" o conseguia prender.
Como o menino que Campanelo conta, ele também se sentia, às vezes, extenuado de andar atalhos e matos. Então, estendido à sombra de uma copa, deitava a nuca sobre as mãos cruzadas. E todo o silêncio dos campos, que ele agitara até àquele momento com o rumor dos passos e dos gestos, se aquietava, caía sobre ele, tão largo que daí a pouco se julgava adormecido. Adormecido e de olhos abertos para as coisas que o cercavam. Principalmente para a planície, ondulando na sua frente. No horizonte ensombrado, parecia-lhe haver qualquer coisa de misterioso como na floresta que Campanelo compõe cheia de gemidos e vultos. E esse mistério prendia-lhe os olhos.
Muita vez os companheiros do largo vinham desinquietá-lo. Ele, como resposta, apontava para longe com o braço estendido:
- Não vêem? Além!...
Mas os meninos não gostavam de olhar aquelas distâncias. Até o Tóino, uma tarde, quando uma trovoada fazia noite muito para cá do horizonte e se abriu em faíscas que iluminaram de branco o rés das terras, até onde nunca tinham alcançado, e ele, puxando-lhe o braço dissera: -Olha!... -o Tóino não pôde conter aquela expressão de pavor:
- Como o mundo é grande!...
Só quando o entardecer levou a trovoada e os longes, viu que estava sozinho. Por cima, o céu era ainda muito claro, mas a terra escurecia e o Tóino fugira. Então, nem podia correr; deixava cair os pés pelo inclinado da encosta abaixo. E, assim, ia entrando na noite que saía da terra.
Somente nesses momentos não aparecia a fada do conto a dizer-lhe: "Vai. Lá longe, numa torre negra, está uma menina encarcerada. E tu, que nada tens no mundo, se conseguires libertá-la, terás tudo o que desejas. Mas é preciso que nunca olhes para trás! Oiças o que ouvires, nunca olhes para trás!"
Noutros dias era diferente. Parecia que alguém lhe tinha ordenado: "Vai e não olhes para trás!" Corria, corria e não se cansava. E descobria coisas tão novas e extraordinárias que nem tinha tempo de pensar, e quase sempre a noite lhe caía em cima, de surpresa, com a vila a grande distância.
Logo, com uma pedra pronta ao que desse e viesse, o rapazinho crescia tanto pelo escuro da estrada fora que, quando entrava no largo, sentia-se homem chegado de aventuras! Só à luz dos candeeiros lhe vinham à ideia as suas descobertas. E, àqueles que o olhavam admirados, dizia:
- Descobri um sítio!
Todos faziam perguntas, rodeavam-no cheios de interesse. Alguns tiravam as mãos dos bolsos num jeito de expectativa. Mas o rapazinho só sabia responder-lhes cheio de certeza:
- É um sítio que nunca vocês serão capazes de descobrir!
E, rua acima, direito a casa, levava com ele os olhos de todos e aquele mistério do sítio que não contara.
A avó, mal o via, achava que era tarde e, mesmo da janela, perguntava-lhe de onde vinha. Sem saber explicar de modo que ela compreendesse o que ele tinha visto e sentido, respondia-lhe sempre:
- Venho do largo, avozinha.
Assim ia crescendo ao deus-dará, como o menino da história, que não tinha pai nem tinha mãe. Que a partida dos pais confundia-se na sua saudade com a morte do irmão. O bibe preto era, para ele, o luto de três mortes. E desta tristeza que se ia desvanecendo, mas às vezes voltava tão sentida que o deixava desorientado como uma pedrada na cabeça, tirava forças para correr mais que todos os rapazes do largo.
Como o menino das falas de Campanelo, ele era o que a sorte e a sua vontade queriam. Mas sempre tão para lá de onde as suas pequenas forças davam que, ansiado de correr, só descansava jogando os olhos de cima das muralhas do castelo, pelo raso das terras, para o lado por onde os pais haviam partido... Mas a fada não chegava com a sua vara de condão a ensinar-lhe o caminho: "Vai e não olhes para trás!" E as velas dos moinhos das Cumeadas giravam na sua frente, giravam pelo céu, lentas como o desânimo triste de cabeças que tombam por detrás das grades de uma cadeia.
O rapazinho sentia um grito doer-lhe na garganta. Saltava da muralha, corria pelo cerro abaixo. O seu desejo era correr para longe, à espera da noite e do sono. Mas, parava no largo, já exausto. E queria brincar aos jogos que os outros jogavam, aturdir-se de saltos e lutas violentas. Logo, à menor contrariedade, fazia discussão. Brigava com o primeiro que se opusesse à sua vontade.
As mulheres chamavam os filhos. "Que fossem para outro lado, que não os queriam com ele." Mal os rapazinhos se iam, uma força impossível de conter agitava-lhe os braços: corria-os à pedrada.
De todos, só o Tóino não fugia. Ficava, de longe, a olhá-lo.
Uma tarde, a Chica Nora veio sobre ele, a repreendê-lo. Como o rapazinho ficasse, quieto, a desafiá-la com os olhos, ela deixou cair a mão, secamente.
O rapazinho sentiu a cara arder e o peito abrir-se violentamente. Atirou o braço com quanta força tinha. Viu a pedra cair para o chão, rolar, a mulher levar a mão à testa, um fio de sangue escorrer-lhe pela cara, e fugir aos gritos, para casa.
Até dessa vez o Tóino desapareceu e ele ficou, sozinho, no meio do largo.
Correu a contar ao avô. Contou cheio de dó pela mulher e pelos moços do largo. Disse tudo tal qual: a saudade dos pais; os moços que não queriam brincar com ele, e a bofetada, e a bofetada!
O avô esteve muito tempo calado. E o rapazinho continuava no meio da casa de cabeça caída para o peito. Estava sem palavras e sentia-se mais triste que nunca quando o avô lhe gritou:
- Levanta a cabeça e não chores!
Ergueu o queixo, arrepiado de súbita alegria.
- Um homem nunca chora! Vem.
Só ouviu a avó perguntar o que era, onde iam. Mas o avô não a viu nem ouviu. Fechou a porta, do modo que sempre costumava fazer, e desceu a rua a seu lado.
No largo e à porta da mulher estava gente. No meio de um grupo viam-se os braços do Jacinto Nora gesticulando. Mal viu o avô e o neto, atirou o chapéu ao chão, afastou os homens que lhe ficavam em frente.
O rapazinho agarrava uma pedra com tanta força que lhe doíam os dedos. Sentia as arestas do calhau entrarem-se-lhe na carne e não podia deixar de apertá-lo cada vez mais. "Ai do Nora se avançasse um passo do sítio onde estava!"
Mas a voz do avô pareceu-lhe que se cortava toda nos dentes cerrados:
- Jacinto Nora, se tocares no meu neto, nem que seja num cabelo do meu neto, mato-te como a um cão danado!
O homem aquietou-se, indeciso. Era alto e forte, a barba cerrada, a camisa aberta no peito abaulado. Mas o avô, apesar de velho, também era alto e tinha aqueles olhos fixos e fundos e o rosto tão marcado de dureza como se fosse de pedra.
O rapazinho sentia que qualquer coisa de terrível se estava passando. Um prazer ansiado ergueu-lhe as sobrancelhas; cresceu ao lado do avô. Ouviu-lhe a voz, demorada e longínqua, ecoando no silêncio do largo:
- Mato-te como a um cão!
O grupo abriu uma larga clareira. Os dois ficaram sozinhos, frente a frente. Uma mulher gritou.
O velho estava branco e quieto, os braços levemente abertos, o rosto devastado. Jacinto Nora desviava os olhos, baixava a cabeça. Perante aquela força poderosa, Jacinto Nora deu um passo, levou as mãos à cara. Assim, curvado, entrou em casa.
Só então o menino respirou. Doía-lhe o corpo todo. Quis abrir a mão e não pôde. E foi pôr-se diante do avô, a olhá-lo como se ele fosse o único ente vivo, no mundo.
E à voz de Campanelo, que o leva à porta da Torre da Má Hora, tudo isto se agitara nele.
- Campanelo, meu avô nunca olhou para trás!
De roda, todos ficaram surpreendidos. O homem fitou-o algum tempo, depois disse:
- Sim, o teu avô nunca olhou para trás. É um homem.
E voltou ao conto sem o desfitar. Parecia que só a ele contava a história da Torre da Má Hora.
- Da Torre da Má Hora quem for cobarde não torna!
- Campanelo, meu avô foi lá e voltou!...
-...Então, o menino forçou a porta chapeada de ferro e entrou pelo corredor. Era um silêncio tão grande que punha os cabelos do menino arrepiados... quando, nisto!...
E Campanelo, sem desfitar o rapazinho do bibe preto, acaba a história de outro modo. Depois de todos os perigos, já o menino traz a rapariga pelo corredor fora, a velha aparece e, com a ajuda de um gigante, prende-o a correntes, numa parede. O menino preso a correntes, numa parede!...
Foi uma aflição pelos rostos das crianças.
Campanelo vê o rapazinho do bibe preto erguer-se com os olhos rasos de água. Segue-lhe a mão estendida e ouve-lhe a voz esgarçada:
- Campanelo, onde é a Torre da Má Hora?!...
Sorrindo, o homem aponta ao acaso o largo, as ruas da vila, os campos.
- Sei lá... Em qualquer parte. Mas, olha, tu és como o teu avô: hás-de ir e voltar da Torre da Má Hora.
E, no círculo dos rapazinhos, o menino do bibe preto, de pé, era mais alto que todos. Mais alto que Campanelo sentado no lancil do largo, debaixo das estrelas, na noite quieta.
sexta-feira, 31 de outubro de 2014
Halloween no Museu da Eletricidade em Lisboa
31 de outubro
a partir das 21h30
Entrada livre (não requer marcação prévia)
Hoje, o Museu da Eletricidade veste-se a rigor para receber o Dia de Halloween.
A partir das 21h30, o Museu ganha vida e convida o visitante a entrar no jogo Cluedo, o chefe da Central Tejo foi assassinado. Quem o matou? E qual a arma do crime?
Zombies, fantasmas, bruxas, lobos e muitos sustos prometem uma noite de mistério verdadeiramente assustadora no Museu, para todas as idades!
A partir das 21h30, o Museu ganha vida e convida o visitante a entrar no jogo Cluedo, o chefe da Central Tejo foi assassinado. Quem o matou? E qual a arma do crime?
Zombies, fantasmas, bruxas, lobos e muitos sustos prometem uma noite de mistério verdadeiramente assustadora no Museu, para todas as idades!
quarta-feira, 29 de outubro de 2014
Pintora, Escultora e modelo – Niki de Saint Phalle
18/01/2013 por Rosa Pais
Catherine-Marie-Agnès Fal de Saint Phalle, mais conhecida como Niki de Saint Phalle, artista franco-americana que nasceu a 29 de outubro de 1930, em Neuilly-sur-Seine, nos subúrbios de Paris. À imagem de Gaudi, Miró, Dubuffet e Calder a sua obra expressa a irreverência e a originalidade.


Niki de Saint Phalle; 1969
Foto: Leonardo Bezzola

“Escorpião e Veado“, pintura a óleo e objectos sobre contraplacado de madeira, 1956-1958, Museu de Arte Contemporânea e Moderna de Nice
Um dos seus grandes projetos públicos, o seu jardim de esculturas, O Jardim Tarot, inspirado no Tarots, foi concluída em 1998. O universo da artista inclui ainda outros materiais do tipo fibra de vidro, gesso ou tela de arame. São obras de impacto com ironia e humor, pontuadas por um alegre colorido, marcadas por expressivas e apoteóticas figuras femininas, redondas e generosas.

The TAROT Garden,1960, Tuscany, Italy

“The lovers” – Tarot Garden, 1960

“Black Vênus“, 1965 – 1967


1973, Hannover, Germany

“Monkeys“, 1979

“Arbre Serpents (Serpent Tree)”, 1999

“Sun God Vase”, 2001-03

“Nana with handbag”, 2000-2001

“O Diabo”, polyester pintado, 1985 – MAMAC

“O Anjo Protetor“,no Hall da Estação Principal de Zurique
Visitando o Centro Georges Pompidou é obrigatório visitar um dos espaços envolventes mais estimulantes, na Praça Stravins-ky, integrada nas margens da implantação do edifício. A instalação da fonte teve início em 1982, cinco anos depois da construção do “Centre National d’Art et de Culture”, e nela foram introduzidas 16 figuras criadas por Niki de Saint Phalle, a autora, em parceria com o escultor Jean Tinguelyem, em homenagem a Igor Stravinsky, recriando “A Sagração da Primavera”, composta por este compositor em 1913.
Fonte Stravinsky, Praça Igor Stravinsky, Paris, 1982-83
http://escolaamigadaarte.wordpress.com/2013/01/18/pintora-escultora-e-modelo-niki-de-saint-phalle/
Ex-modelo fotográfico das revistas Vogue, Harper’s Bazaar e Life nos anos 40, a artista francesa notabilizou-se por inventar um mundo de cores puras e de firmes movimentos lúdicos. Soube inventar um novo mundo de cores puras, que são um hino à vida.
A sua série Nanás (que em francês quer dizer, moças) grandes bonecas que representam o mundo feminino, ganhou aclamação mundial. As suas esculturas são construídas com espelhos, vidro, plástico, tecidos e bronze.
Niki faleceu em 21 maio de 2002, em San Diego, Califórnia.


Niki de Saint Phalle; 1969
Foto: Leonardo Bezzola

“Escorpião e Veado“, pintura a óleo e objectos sobre contraplacado de madeira, 1956-1958, Museu de Arte Contemporânea e Moderna de Nice
Um dos seus grandes projetos públicos, o seu jardim de esculturas, O Jardim Tarot, inspirado no Tarots, foi concluída em 1998. O universo da artista inclui ainda outros materiais do tipo fibra de vidro, gesso ou tela de arame. São obras de impacto com ironia e humor, pontuadas por um alegre colorido, marcadas por expressivas e apoteóticas figuras femininas, redondas e generosas.

The TAROT Garden,1960, Tuscany, Italy

“The lovers” – Tarot Garden, 1960

“Black Vênus“, 1965 – 1967


1973, Hannover, Germany

“Monkeys“, 1979

“Arbre Serpents (Serpent Tree)”, 1999

“Sun God Vase”, 2001-03

“Nana with handbag”, 2000-2001

“O Diabo”, polyester pintado, 1985 – MAMAC

“O Anjo Protetor“,no Hall da Estação Principal de Zurique
Visitando o Centro Georges Pompidou é obrigatório visitar um dos espaços envolventes mais estimulantes, na Praça Stravins-ky, integrada nas margens da implantação do edifício. A instalação da fonte teve início em 1982, cinco anos depois da construção do “Centre National d’Art et de Culture”, e nela foram introduzidas 16 figuras criadas por Niki de Saint Phalle, a autora, em parceria com o escultor Jean Tinguelyem, em homenagem a Igor Stravinsky, recriando “A Sagração da Primavera”, composta por este compositor em 1913.
A articulação das peças é accionada através de uma engrenagem visível que movimenta uma grande boca vermelha, uma cabeça de elefante, uma serpente, um pássaro disforme, um coração multicolor e um chapéu de palhaço, numa combinação assumidamente lúdica e bem humorada.
Fundação Vieira da Silva comemora 20º aniversário
De acordo com a FASVS, as celebrações vão prolongar-se durante um ano com um programa que inclui a organização de conferências, a exibição de filmes e outras iniciativas que a entidade irá divulgar posteriormente.
A mostra – que assinala os 20 anos da abertura do museu e os 25 anos da criação da fundação em nome da artista e do seu marido, também artista — vai reunir obras de arte, depoimentos de artistas e curadores, artigos de imprensa, fotografias e outra documentação.
Fonte: Diário Digital / Lusa
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