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terça-feira, 19 de fevereiro de 2019

História




"Kavad",
 Altar portátil
Altar portátil para contador de histórias, com cenas do épico hindu Ramayana e imagens de Jagannath, uma representação de Krishna. 
Uma peça do Museu do Oriente.

Kavad, Altar portátil
Índia, Rajastão, 1970
Madeira, Alt.: 30,5 x Larg.:18,5 x Prof.:15,2 cm
©Fundação Oriente/João Silveira Ramos
A prática de narração de histórias tradicionais e de textos religiosos por contadores-de-histórias ambulantes (kavaryia bhats), através da ilustração policromada de altares ou pinturas-rolo portáteis, é comum em todas as regiões da Índia. No Rajastão estes altares portáteis designam-se kavad e são formados por uma caixa de madeira com abas ou painéis desdobráveis, sobre os quais são pintadas cenas míticas. O contador-de-histórias abre e desdobra-o de acordo com os episódios que escolheu para recitar a história. Como o estatuto do kavaryia é semelhante ao de um sacerdote o kavad ganha a função de altar portátil para culto. 

A sua manufatura é feita por homens ou mulheres e geracional. Os artesãos trabalham em worshops familiares a pedido dos patronos, que são os kavariya.
https://www.e-cultura.sapo.pt/artigo/12968

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2019

Dia de S. Valentim


Dia dos Namorados,

uma lenda com tradição

A Igreja Católica reconhece pelo menos três santos com o nome de Valentim, todos eles martirizados pela Roma Antiga, e não é certo qual desses três será o "responsável" pela história que deu origem à lenda que fez nascer o dia dos Namorados.



A versão mais disseminada conta que, por alturas do séc. III, o Imperador Cláudio II, querendo formar um poderoso exército romano, decidiu proibir temporariamente a celebração de casamentos para garantir que os jovens se concentrassem mais facilmente na guerra e na vida militar.

Contudo, o bispo Valentim contrariou as ordens e continuou a celebrar casamentos, agora na clandestinidade. A afronta à vontade do Imperador levou a que Valentim acabasse preso e condenado à morte. Até à sua execução, foi recebendo flores e bilhetes (o que explica a troca de postais, cartas e presentes, hoje em dia) enviados por anónimos como demonstração de apoio e consideração pela sua conduta.



A milagrosa história de amor



A filha do carcereiro de Valentim, que era cega, movida pela curiosidade, terá pedido para o visitar no cárcere e, mal se aproximou dele, recuperou a visão. Ambos se apaixonaram um pelo outro. Numa carta escrita à sua amada, o bispo ter-se-à despedido com a expressão “do seu Valentim”, que ainda é usada na língua inglesa (“valentine“) para designar namorado. Mas esta história não tem final feliz: ainda segundo a lenda, a ordem de execução dada por Cláudio foi cumprida e Valentim acabaria por ser decapitado num 14 de fevereiro de finais dos anos 200 (séc. III).

Devido à indefinição e à falta de factos históricos comprovados para além de qualquer dúvida, a Igreja Católica não celebra oficialmente esta data. Não é por isso, no entanto, que o Dia de São Valentim, dia dos namorados, 14 de fevereiro, deixa de ser festejado em todo o mundo, tendo passado a fazer parte das tradições nacionais. Assim sucede há séculos – em Portugal, por exemplo.
 http://ensina.rtp.pt/atualidade/dia-dos-namorados-uma-lenda-com-tradicao/

Informação sobre o MOOC da DGE sobre "Cibersegurança nas Escolas"





"Cibersegurança nas Escolas” é o tema do MOOC (Massive Open Online Course), desenvolvido pela Direção-Geral da Educação, com início a 14 de janeiro e término a 4 de março de 2019.

Este curso pretende sensibilizar as escolas e a comunidade educativa mais alargada para as questões da Cibersegurança e promover uma utilização crítica e segura da Internet, dos dispositivos móveis e dos ambientes virtuais.

O MOOC “A Cibersegurança nas Escolas” está estruturado em quatro módulos e incide em temáticas como, a Cibersegurança, Ameaças e Cibercrime/Legislação e Políticas e Práticas Seguras nas Escolas.

Ao longo do curso, os participantes terão oportunidade de aprofundar o seu conhecimento sobre as oportunidades e desafios da segurança no mundo digital; valorizar o uso seguro das redes, dos sistemas de informação e dos dispositivos digitais; tomar conhecimento de práticas de Cibersegurança nas comunidades educativas, bem como partilhar ideias, atividades e metodologias, relativamente às temáticas propostas.

Este MOOC destina-se preferencialmente aos elementos da Direção das Escolas/Estabelecimentos de Ensino Públicos e Privados, a coordenadores/administradores TIC que estão mais diretamente envolvidos com questões de Cibersegurança e às forças de segurança, nomeadamente ao programa “Escola Segura” (GNR e PSP) nas Escolas. Contudo, encontra-se aberto a todos os docentes dos Ensinos Básico e Secundário, a técnicos superiores (psicólogos, assistentes sociais, etc.) e a todos os interessados nesta temática.

Esta formação não é acreditada pelo Conselho Científico-Pedagógico da Formação Contínua, mas a sua conclusão permite a obtenção de um Certificado de Conclusão do Curso e de um Selo Digital.

Link: http://www.dge.mec.pt/noticias/tic-na-educacao/abertura-do-mooc-ciberseguranca-nas-escolas

Um livro digital imperdível...

Conhecer para respeitar...

A tolerância só se adquire através do conhecimento.

O que esperas para ler este e-book? 






Inês Pupo e o livro “Os Ciganos”

A autora fala sobre “Os Ciganos: História e Cultura”, um livro informativo que permite conhecer melhor esta comunidade, dando-se ainda algumas sugestões de como abordar o tema em sala de aula.


quarta-feira, 6 de fevereiro de 2019

Padre António Vieira


6 de fevereiro de 1608: 
Nasce o Padre António Vieira

Notável prosador e o mais conhecido orador religioso português, o Padre António Vieira nasceu em 1608, em Lisboa, filho primogénito de um modesto casal burguês, e faleceu na Baía em 1697. Quando tinha apenas seis anos, os seus pais mudaram-se para a Baía, no Brasil, tendo aí iniciado os seus estudos.

Os jesuítas tinham sido desde sempre os portadores da cultura e civilização no Brasil, com relevo especial para os Padres José de Anchieta e Manuel de Nóbrega. Assim sendo, cursou Humanidades no colégio da Companhia de Jesus, onde revelou bem cedo dotes excecionais. Aos 15 anos, motivado pela sua fé na Virgem das Maravilhas na Sé baiana e por um sermão que ouviu sobre as torturas do Inferno, Vieira teve o seu famoso "estalo" e decidiu ingressar na Companhia de Jesus. Ante a oposição dos pais, Vieira fugiu de casa e prosseguiu a sua formação, em que predominavam as Humanidades Clássicas (principalmente o latim), a Filosofia e a Teologia, com especial relevo para a Sagrada Escritura. Guiado pelos pressupostos e práticas jesuíticas, que apontavam para o objetivo primordial da salvação do próximo através da pregação, exerceu a sua função evangelizadora junto dos indígenas de uma aldeia onde passou algum tempo.

Todavia, cedo regressou à capital de forma a continuar a sua formação. Ao entrar no segundo ano do seu noviciado, assistiu à brusca invasão dos holandeses na Baía, tendo de refugiar-se no interior da capitania. Começara, então, a Guerra Santa entre Portugal e os inimigos de Deus, a que Vieira não ficou alheio durante mais de 25 anos. Descrevendo estes eventos calamitosos do ano de 1624, na "Carta Ânua" ao Padre Geral em Roma, Vieira deixou claro que a sua atividade não se limitaria a ser meramente religiosa, pois os preceitos jesuíticos, que apontavam para a emulação e o instinto de luta, levavam-no a bater-se pela justiça.

Em 1625 António Vieira fez votos de pobreza, castidade e obediência e, propondo-se missionar entre os ameríndios e escravos negros, estudou a "língua geral" (tupi-guarani) e o quimbundo. Foi nomeado professor de Retórica no colégio dos Padres em Olinda, onde permaneceu dois ou três anos, tendo depois voltado à Baía com o fito de seguir os cursos de Filosofia e Teologia. Ordenado padre em dezembro de 1634, depressa se avolumou a sua fama de orador e se celebrizaram os seus sermões que refletiam as vicissitudes da Baía, em luta contra os holandeses, e criticavam a ganância, a injustiça e a corrupção. Em 1641, restaurada a independência, Vieira acompanhou o filho do governador, que vinha trazer a adesão do Brasil a D. João IV, à Metrópole. Em Lisboa, começou a pregar em S. Roque e logo o seu talento se espalhou pela cidade. Segundo o testemunho de D. Francisco Manuel de Melo, a afluência às pregações era tal que, como se de provérbio se tratara, corria a frase: "Manda lançar tapete de madrugada em S. Roque para ouvir o Padre António Vieira". Cativa o favor de D. João IV, que não tardou em convidá-lo a pregar na capela real, onde ele proferiu o seu primeiro sermão no dia 1 de janeiro de 1642. Dois anos depois foi nomeado pregador régio. Nos numerosos sermões desta época da sua vida, Vieira não se cansava de animar o auditório a perseverar na luta desigual com Castela e propunha medidas concretas para a solução de problemas, inclusive de ordem económica. A sua situação privilegiada dentro da corte teria contribuído para que fosse encarregue de diversas missões diplomáticas na Holanda, França e Itália, como foi o caso do casamento do príncipe Teodósio. Em 1644, António Vieira proferiu os votos definitivos, depois de ter feito o terceiro ano de noviciado em Lisboa. A Companhia de Jesus começou a ver com maus olhos a sua influência nos destinos do país, ameaçando-o de ser expulso da Companhia. A pedido da mesma, voltou ao Brasil em 1653, para o estado do Maranhão e aí assumiu um papel muito ativo nos conflitos entre jesuítas e colonos, como paladino dos direitos humanos, a propósito da exploração dos indígenas. No ano seguinte pregou o Sermão de Santo António aos Peixes. Foi expulso do Maranhão pelos colonos, em 1661, e regressou a Lisboa. De novo na capital, D. João IV, seu protetor, havia falecido e D. Afonso VI, instigado pelos inimigos do orador, desterrou-o para o Porto e, mais tarde, para Coimbra. Perfilhando as novas expectativas sebastianistas que encontrou no reino, que se baseavam no juramento de D. Afonso Henriques, nas cartas apócrifas de São Bernardo, nas profecias atribuídas a São Frei Gil e nas famosas trovas de Bandarra, escreveu o Sermão dos Bons Anos, em 1642. Foi nesta altura que a Inquisição o prendeu sob a acusação de que tomava a defesa dos judeus, acreditava nas possibilidades de um Quinto Império e nas profecias de Bandarra. Durou largo tempo o processo, porque a Inquisição não se dava por satisfeita e impunha que reconhecesse os seus erros, a que o padre jesuíta se recusou, e talvez se não salvasse da fogueira, se a Companhia o abandonasse à sua sorte, e o papa Alexandre VII não interviesse a recomendar-lhe que se retratasse. A sentença do tribunal foi proferida a 23 de dezembro de 1667. Condenando Vieira a perder a voz ativa e passiva, proibindo-lhe a predica, e ordenando-lhe que se recolhesse a um colégio de noviços, ele ouviu a sentença de pé e imóvel durante duas horas com o olhar fito num crucifixo do tribunal, e isto depois de 27 meses de cárcere incomunicável.  Entretanto, a situação política alterou-se. Destituído D. Afonso, subiu ao trono D. Pedro II. António Vieira foi amnistiado e retomou as pregações em Lisboa. Em 1669 parte para Roma como diplomata e obtém grande sucesso como pregador, combatendo o Tribunal do Santo Ofício. Na Cidade Eterna, continuou a defesa acérrima dos judeus e ganhou grande reputação, encantando com a sua eloquência o Papa Clemente X e a rainha Cristina da Suécia. Regressou a Portugal em 1675; mas, agora sem apoios políticos e desiludido pela perseguição aos cristãos-novos (que tanto defendera), retirou-se de vez para a Baía em 1681 onde se entregou ao trabalho de compor e editar os seus Sermões. A sua prosa é vista como um modelo de estilo vigoroso e lógico, onde a construção frásica ultrapassa o mero virtuosismo barroco. A sua riqueza e propriedade verbais, os paradoxos e os efeitos persuasivos que ainda hoje exercem influência no leitor, a sedução dos seus raciocínios, o tom por vezes combativo, e ainda certas subtilezas irónicas, tornaram a arte de Vieira admirável. As obras Sermões, Cartas e História do Futuro ficam como testemunho dessa arte.


Padre António Vieira. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2013.

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