Estes tutoriais permitem o desenvolvimento de muitas competências nas áreas das literacias: digital e de informação (para os ensinos básico e secundário).
Este 5 de maio é o Dia Mundial da Língua Portuguesa. Acelebração globalde 2020 marca uma nova etapa: é aprimeira que acontece um ano após ser instituída pela Organização das Nações Unidas para Educação Ciência e Cultura, Unesco.
O idioma de vários sotaques e variantes é oficial numa área de mais de 285 milhões de falantes espalhados pelo mundo.
Durante uma década, o Dia da Língua Portuguesa e da Cultura da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, Cplp, era marcado por celebrações enfatizando a quinta língua mais falada no mundo, a terceira mais usada no Hemisfério Ocidental e a maior no Hemisfério Sul.
Em mensagem, de Lisboa, o secretário-executivo da Cplp, Francisco Ribeiro Telles, declarou que o atual momento de crise pelas incertezas devido à pandemia da covid-19 tem impacto na língua portuguesa.
“A situação de estado de emergência em muitos países, incluindo da Cplp, fez surgir termos até então muito pouco utilizados na linguagem corrente: teletrabalho, distanciamento social, isolamento, confinamento domiciliar, quarentena, casos positivos e vítimas mortais, por exemplo, que passaram a fazer parte das nossas conversas diárias e lideram o catálogo das notícias dos principais meios de comunicação internacionais.”
Ribeiro Telles mencionou o reflexo negativo da pandemia em agendas de diversos setores que foram forçados a reduzir o ritmo de atividades em nações lusófonas.
O primeiro evento global na Unesco destaca a cooperação para projetar o português. O ministro dos Negócios Estrangeiros e Comunidades de Cabo Verde, Luís Filipe Tavares, elogiou a ação diplomática que culminou com a consagração da data. Até este ano, o país detém a presidência rotativa da Cplp.
“Vamos continuar a trabalhar para que na frente diplomática a língua portuguesa seja uma língua de trabalho das Nações Unidas. Já é língua de trabalho dos países da África Ocidental, na União Africana. Vamos continuar a trabalhar para que seja a língua de trabalho normal das Nações Unidas.”
O chefe da diplomacia cabo-verdiana vê a celebração como afirmação do estatuto internacional e universal do português.
O primeiro Dia Mundial da Língua Portuguesa marca a primeira vez em que um idioma não oficial é celebrado na Unesco.
A importância cultural da língua presente nos cinco continentes também acontecerá em eventos programados no bloco lusófono que integra Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Moçambique, Portugal, Timor-Leste e São Tomé e Príncipe.
Estudantes
A Cplp também destaca a cooperação como outro marco do momento atual.
Nas celebrações em tempos de quarentena e isolamento, a estudante de Angola aponta o português como língua que permite que “falantes de vários idiomas do povo angolano tenham um veículo de comunicação promovendo o desenvolvimento”.
Jaime Bonga de Moçambique celebra o português como língua que “diariamente se renova, diante da diversidade cultural no imenso território”. Sobre o tema, uma estudante de São Tomé e Príncipe comparou o português a “tijolos que, ao longo do tempo, ajudam a construir o percurso de vida e a moldar a personalidade.”
Segundo a Missão do Brasil junto à ONU, o país planeja criar o Instituto Guimarães Rosa, coordenado pelo Ministério das Relações Exteriores. Atividades de promoção e ensino de português são realizadas pelo Instituto da Cooperação e da Língua, Camões, e Instituto da Língua Portuguesa Iilp.
Os eventos para o primeiro Dia Mundial da Língua Portuguesa foram idealizados pela Cplp, o Instituto Camões e a ONU News em Português com o apoio de outras organizações parceiras.
Fonte: "ONU News"
Parceria com o Camões - Instituto da Cooperação e da Língua, I.P.
"Gosto de dizer. Direi melhor: gosto de palavrar. As palavras são para mim corpos tocáveis, sereias visíveis, sensualidades incorporadas. Talvez porque a sensualidade real não tem para mim interesse de nenhuma espécie – nem sequer mental ou de sonho -, transmudou-se-me o desejo para aquilo que em mim cria ritmos verbais, ou os escuta de outros. Estremeço se dizem bem. Tal página de Fialho, tal página de Chateaubriand fazem formigar toda a minha vida em todas as veias, fazem-me raivar tremulamente quieto de um prazer inatingível que estou tendo. Tal página, até de Vieira, na sua fria perfeição de engenharia sintáctica, me faz tremer como um ramo ao vento, num delírio passivo de coisa movida.
Como todos os grandes apaixonados, gosto da delícia da perda de mim, em que o gozo da entrega se sofre inteiramente. E, assim, muitas vezes, escrevo sem querer pensar, num devaneio externo, deixando que as palavras me façam festas, criança menina ao colo delas. São frases sem sentido, decorrendo mórbidas, numa fluidez de água sentida, esquecer-se de ribeiro em que as ondas se misturam e indefinem, tornando-se sempre outras, sucedendo a si mesmas. Assim as ideias, as imagens, trémulas de expressão, passam por mim em cortejos sonoros de sedas esbatidas, onde um luar de ideia bruxuleia, malhado e confuso.
Não choro por nada que a vida traga ou leve. Há porém páginas de prosa que me têm feito chorar. Lembro-me, como do que estou vendo, da noite em que, ainda criança, li pela primeira vez numa selecta o passo célebre de Vieira sobre o rei Salomão. “Fabricou Salomão um palácio…” E fui lendo, até ao fim, trémulo, confuso: depois rompi em lágrimas, felizes, como nenhuma felicidade real me fará chorar, como nenhuma tristeza da vida me fará imitar. Aquele movimento hierático da nossa clara língua majestosa, aquele exprimir das ideias nas palavras inevitáveis, correr de água porque há declive, aquele assombro vocálico em que os sons são cores ideais – tudo isso me toldou de instinto como uma grande emoção política. E, disse, chorei: hoje, relembrando, ainda choro. Não é – não – a saudade da infância de que não tenho saudades: é a saudade da emoção daquele momento, a mágoa de não poder já ler pela primeira vez aquela grande certeza sinfónica.
Não tenho sentimento nenhum político ou social. Tenho, porém, num sentido, um alto sentimento patriótico. Minha pátria é a língua portuguesa. Nada me pesaria que invadissem ou tomassem Portugal, desde que não me incomodassem pessoalmente. Mas odeio, com ódio verdadeiro, com o único ódio que sinto, não quem escreve mal português, não quem não sabe sintaxe, não quem escreve em ortografia simplificada, mas a página mal escrita, como pessoa própria, a sintaxe errada, como gente em que se bata, a ortografia sem ípsilon, como o escarro directo que me enoja independentemente de quem o cuspisse.
Sim, porque a ortografia também é gente. A palavra é completa vista e ouvida. E a gala da transliteração greco-romana veste-ma do seu vero manto régio, pelo qual é senhora e rainha."
“Livro do Desassossego”, por Bernardo Soares. Vol. I, Fernando Pessoa
A 5 de maio de 2020 comemora-se, pela primeira vez, o Dia Mundial da Língua Portuguesa – data consagrada pela UNESCO no calendário internacional – e, para assinalar a efeméride, a Porto Editora, o Camões – Instituto da Cooperação e da Língua e o Plano Nacional de Leitura lançam o concurso literário "Contos do Dia Mundial da Língua Portuguesa".
A Porto Editora alia-se a projeto de Miguel Gonçalves Mendes para assinalar Dia da Língua Portuguesa e da Cultura na CPLP.
Para assinalar o Dia da Língua Portuguesa e da Cultura na CPLP, que se comemora hoje, 5 de maio, a Porto Editora aliou-se ao realizador Miguel Gonçalves Mendes na publicação de Sotaques, um vídeo que celebra a diversidade da língua portuguesa no mundo através da leitura de O Paraíso são os outros, de Valter Hugo Mãe.
O vídeo foi concebido pelo cineasta, responsável por projetos como José e Pilar e Autografia, e os registos de áudio e vídeo foram efetuados durante a volta ao mundo que empreendeu durante o ano de gravação de O Sentido da Vida, o seu novo filme (com estreia prevista em 2018).
Nesta leitura de O Paraíso são os outros encontramos pessoas de Cochim, Goa, Damão, Diu, Macau e outras, a que mais tarde, e já em Lisboa, se juntaram diferentes sotaques de pessoas provenientes de países africanos de língua portuguesa, de Timor-Leste, do Brasil e várias zonas de Portugal.
Nesta viagem pela diversidade da nossa língua, os leitores dão voz ao estilo singular de Valter Hugo Mãe e à sua personagem principal, uma menina fascinada pelo amor, que usa a imaginação para antever e descobrir o que é a felicidade.
Este vídeo será cedido gratuitamente ao Museu da Língua Portuguesa, em São Paulo, atualmente em obras de reconstrução, após o grande incêndio de 2012. No futuro, e no seguimento deste mesmo projeto, será publicado um minidocumentário sobre a forma como as diferentes culturas vivem, no seu quotidiano, a Língua Portuguesa.
Fonte: sítio da Porto Editora em portoeditora.pt/ e também em facebook.com/portoeditora.
As “Aulas Digitais: "Tecnologia que facilita o dia-a-dia" do Programa para a Inclusão e Literacia Digital da Câmara Municipal de Lisboa
"Num momento em que milhões de portugueses reconhecem nas tecnologias digitais uma importante ferramenta para combater o distanciamento social, trabalhar, estudar e contactar com familiares e amigos, a Câmara Municipal de Lisboa disponibiliza aulas digitais gratuitas no Facebook, com o objetivo de apoiar os que mais necessitam de competências digitais.
As “Aulas Digitais: Tecnologia que facilita o dia-a-dia!”, uma iniciativa do Programa para a Inclusão e Literacia Digital da Câmara Municipal de Lisboa, permitem identificar notícias falsas, ajudam a tirar o máximo partido da aplicação Whatsapp e a efetuar pagamentos online, entre tantos outros assuntos.
São sessões públicas, simples e para todos, que se realizam terça-feira e quinta-feira, às 11h00, na página de Facebook do Centro Qualifica da Câmara Municipal de Lisboa, podendo ser visualizadas posteriormente em qualquer momento. Os interessados podem ainda colocar questões aos formadores do Programa para a Inclusão e Literacia Digital e encontrar sugestões de recursos adicionais.
As aulas digitais estão disponíveis em bit.ly/aulasdigitaiscml e já foram visualizadas por mais de 2500 participantes.
O Programa para a Inclusão e Literacia Digital é uma iniciativa premiada do Departamento de Desenvolvimento e Formação da Câmara Municipal de Lisboa, criado em 2017, tem como objetivo contribuir para que trabalhadores e cidadãos que não utilizam ou que utilizam pouco o computador, o telemóvel ou o tablet, possam, de uma forma simples e prática, ultrapassar receios e encontrar vantagens no acesso à Internet e no uso da tecnologia. Mais informações em http://lisboa.pt/literacia-digital ".
"Dia Mundial do Livro" e o centenário do nascimento da escritora Clarice Lispector, a Biblioteca Escolar propõe como leitura o conto
"A Felicidade Clandestina"
Sinopse do livro:
"O livro Felicidade Clandestina, lançado em 1971, reúne 25 contos de Clarice Lispector. Alguns foram escritos para o "Jornal do Brasil", na época em que a escritora colaborava com a publicação. O ponto de partida dos contos são acontecimentos banais, cujas repercussões acionam nas personagens reflexões a respeito da existência."
Fonte: editora Roco
Sinopse do conto:
Este conto tem um cunho autobiográfico. A sua mensagem central relaciona-se com “felicidade” que a leitura de um livro, enquanto objeto de grande desejo, pode suscitar numa menina. Perante a oportunidade de o ler, a menina tenta prolongar o tempo que passa com o livro, aumentando a sua felicidade efémera, conquistada através de uma enorme persistência, causando o que parece ser uma felicidade clandestina.
Quem é Clarice Lispector?
1920-1977
Clarice Lispector: "o espírito que se maravilhava com o mundo"
"Amo a língua portuguesa", declarou um dia a escritora brasileira que nasceu na Ucrânia. Clarice Lispector queria que esta língua chegasse ao máximo pelas suas mãos. Publicou 26 livros, obra inquietante e misteriosa que a tornou uma autora de culto.
Clarice Lispector procurava o “entendimento das coisas e das pessoas”. Através da escrita mergulha no desconhecido, pesquisa o seu próprio eu e interroga-se sobre os mistérios do mundo. (...)
A história desta mulher começa na Ucrânia em 1920. O seu nome era então Chaya Pinkhasovna Lispector. Aos 2 anos vem com os pais para o Brasil, em fuga da perseguição aos judeus, durante a guerra civil russa. Na nova terra fica a ser Clarice, menina pequena que gosta de fazer jogos de palavras. Chegada aos 13 anos decide que quer ser escritora: “Quando eu comecei a ler eu lia muito livro de histórias. Eu pensava que livro era uma coisa que nasce. Eu não sabia que era coisa que se escrevia. Quando eu soube que livro tinha autor, eu disse: Também quero ser autor.”
Muito jovem ainda, inicia-se no jornalismo, faz artigos sobre temas diversos, dá conselhos de beleza, entrevista celebridades. O romance inaugural, “Perto do Coração Selvagem”, publicado em 1943, é um acontecimento no meio literário. Primeiro é encarada com estranheza mas depois arrebata a crítica brasileira.
Entre romances, contos e histórias infantis, constrói uma obra sem concessões: “Eu não enfeito, eu escrevo simples”. A sua ficção traduz-se numa narrativa literária, poética e filosófica. Numa palavra: intensa."
Para celebramos a sua forma especialmente humana de abraçar o mundo, publicamos o seu poema "Lisboa não é rentável", revelador do seu encanto por Portugal.
Hoje, cada um de nós, em seu canto, chora, em silêncio, por quem, através de palavras simples, mas acetinadas, soube abraçar indelevelmente a Humanidade.
Deleitem-se, então, com a receita de "Cura Poética" proposta pelo próprio Poeta Jerónimo Nogueira.
Jerónimo Nogueira, filósofo e poeta, nasceu em 1957, em Lisboa.
Autor de vários livros de poemas: "Das Pedras também brota água (1995) "Ares de Lume" (1997), "Na memória moram os muito mais de mim"(1999), "Do verbo e da luz" (2012) e "Catálogo dos Azulejos (2019)
Nos últimos dias, no Reino Unido, o texto poético "You clap for me now", em versão bilingue, sugerido e traduzido pelo professor José Godinho, tornou-se viral.
Centra-se na vida de "trabalhadores essenciais" (no Reino Unido como noutros países), que pertencem a minorias étnicas e /ou são imigrantes.