sexta-feira, 7 de maio de 2021

Chegaram livros novos à nossa Biblioteca Escolar!

 

A atualização da coleção da nossa Biblioteca Escolar foi financiada pela Câmara Municipal de Lisboa, em virtude do nosso Projeto "Humanização - Escola Feliz- Criadores de Futuro",apresentado pela Biblioteca Escolar, ter sido um dos vencedores do concurso  "Fazer Acontecer"  (1ª edição).





Eis as novas monografias:




Sinopse

"No ano 1984, Londres é uma cidade lúgubre, em que a Polícia do Pensamento vigia de forma asfixiante a vida dos cidadãos. O mais grave dos crimes é ter uma mente livre. Publicada originalmente em 1949, a obra mais poderosa de George Orwell é, pela primeira vez, adaptada a novela gráfica, no traço do artista brasileiro Fido Nesti, que capta magistralmente os rostos, corpos e cenários de um mundo que, cada dia, é menos difícil de imaginar."



Sinopse

"É verão. Os pais foram de férias. Os amigos também.

A namorada pediu-lhe um tempo. Miguel tem a casa só para si. Vê televisão, joga computador, lê o livro de código. O mundo parece suspenso no meio do calor. “Tudo o que quero é que nada aconteça. Que tudo permaneça como está. O planeta muito quieto. Com a sua lei da gravidade, as suas regras de trânsito.”

Onde irá dar este desvio?

Pela primeira vez juntos numa novela gráfica, Ana Pessoa e Bernardo P. Carvalho não se desviam nem um centímetro da qualidade a que já nos habituaram.

Recomendado para leitores maiores de 14 anos."


Sinopse

Os robôs já não são ficção, fazem parte da realidade. Por isso, um
jovem resolveu encomendar um robô igual a si próprio para o substituir
em situações desagradáveis: nos testes de Matemática, nas visitas à tia Engrácia, nas tarefas domésticas… Foi o que fez o herói desta história, envolvendo-se numa série de peripécias. Querem saber o que aconteceu?
A coleção Educação Literária reúne obras de referência da literatura portuguesa 
e

 universal indicadas pelo Programa e Metas Curriculares de Português e pelo Plano Nacional de Leitura.


Sinopse

"Uma colectânea de poemas do autor de O Reino Perdido para leitores de todas as idades. Um homem que recolhe palavras durante a noite e trata delas durante o dia: o limpa-palavras. A palavra obrigado agradece-lhe. A palavra brisa refresca-o. A palavra solidão faz-lhe companhia.

Um guarda-redes míope que confunde a realidade com a sua imaginação. Não vê o jogo, mas pode imaginá-lo. Melhor do que saber o que está a acontecer é saber o que poderia ter acontecido? Uma série de portas sem as quais nada acontecia. Um sorriso abre-as. Uma palavra também, se for uma palavra-chave. E mais, muito mais..."



Sinopse

Metas Curriculares de Português
Leitura recomendada para o 6.º ano de escolaridade.

Contos Gregos
"Deuses que descem à terra para vigiarem os homens; heróis que combatem rochas gigantes e dragões imortais; guerreiros de ferro que nascem do solo; pássaros que se transformam em constelações de estrelas.
Conhece estas e outras histórias do universo fantástico da mitologia grega!"


Sinopse

"Eis uma mão-cheia de contos e lendas de Portugal e de outras regiões do Mundo: de Angola, Moçambique, Timor, Espanha, França, Alemanha, do povo cigano e até do mundo árabe. Histórias para ler, reler e contar. Um nunca acabar de modos de encantar, de ter graça, de emocionar e de transmitir ensinamentos.
Livro de leitura recomendada no 5.º ano de escolaridade nas Metas Curriculares de Português e também recomendado na lista do PNL para o mesmo ano."


Fonte: Almedina Livreiros

                                 Vamos ler,  para além dos olhos...

A língua que nos une...

                                      


Fonte: Youtube


O Ano em Palavras (2020)


   

 

                                                                                              Fonte: Youtube


para além dos olhos...


A Leitura humaniza... "O Livro do Dia"

 


Editam-se em Portugal 15 mil livros por ano. A maior parte deles nunca encontra os leitores a quem se destina. 
O Livro do Dia procura ser a montra privilegiada do que de melhor se edita em Portugal nas mais diversas áreas: dos clássicos da literatura à revelação de novos autores, da não-ficção ao livro infanto-juvenil.

 Diariamente, trazemos à antena um novo livro com a escolha do jornalista Carlos Vaz Marques. Uma parceria com o Plano Nacional de Leitura.

Link: O Livro do Dia                                                                                                                                                                           

                                                                                                                                            Fonte: TSF

terça-feira, 4 de maio de 2021

DIA MUNDIAL DA LÍNGUA PORTUGUESA


        


Em 2019, a UNESCO decidiu proclamar o dia 5 de maio de cada ano como "Dia Mundial da Língua Portuguesa", aliás, data que já era comemorada desde 2009 pelos países da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).

A comemoração do Dia Mundial da Língua Portuguesa contribui para reforçar a afirmação do Português como uma língua de comunicação internacional e como uma língua plural, uma língua que permite estabelecer pontes e trocas culturais. Serve, igualmente, para evidenciar a importância da Lusofonia, uma vez que a nossa língua se destaca enquanto instrumento de diálogo entre os diferentes povos que compõem o mapa geográfico dos falantes de língua portuguesa, ao mesmo tempo que permite a afirmação da identidade lusa no reforço dos laços entre os países lusófonos.

 

O Português é falado por mais de 265 milhões de pessoas nos cinco continentes  (3,7% da população mundial), sendo a língua oficial dos nove países-membros da CPLP (Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste) e de Macau, bem como língua de trabalho ou oficial de um conjunto de organizações internacionais como é caso da União Europeia, da União Africana e do Mercosul.

É, também, a quinta língua mais utilizada no espaço da internet e foi considerada o idioma da primeira vaga da globalização.

Nesta grande comunidade da lusofonia, a língua portuguesa assume um papel importantíssimo em diversas dimensões: a económica, a académica, a cultural e a criativa.


Consulte estes recursos:

 

https://www.youtube.com/watch?v=ykFR5vZB9lY&t=74s

 

https://www.youtube.com/watch?v=erL98Rkope8

 

https://www.youtube.com/watch?v=IOq4buh3YA4

 

https://www.youtube.com/watch?v=WqQzx-3R3ak

 

Fonte: 

Biblioteca da escola Secundária da Boa Nova - Leça da Palmeira

           Professora Bibliotecária, Professora Isabel Gomes Ferreira

5 de maio, Dia Mundial da Língua Portuguesa.

 

Uma língua é o lugar donde se vê o Mundo e em que se traçam os limites do nosso pensar e sentir. Da minha língua vê-se o mar. Da minha língua ouve-se o seu rumor, como da de outros se ouvirá o da floresta ou o silêncio do deserto. Por isso a voz do mar foi a da nossa inquietação.

                                                                                                                            Vergílio Ferreira


             



Autora do cartaz:  professora Anabela Silva 

 (Escola Secundária da Boa Nova - Leça da Palmeira) 

                        

Sugestão de leitura de um conto notável, "O Largo", no dia "Mundial da Língua Portuguesa"

 



No Largo, o “centro do mundo”de uma vila alentejana,  adormece um passado, onde havia vida, alegria, convívio e harmonia entre todas as pessoas.

Porém, o progresso chegou e os hábitos alteraram-se completamente...

Quem permaneceu no largo?  Vamos saber?!

Leiam este conto fantástico...!

Partilhem-no amplamente!


O Largo  


 


Antigamente, o Largo era o centro do mundo. Hoje, é apenas um cruzamento de estradas, com casas em volta e uma rua que sobe para a Vila. O vento dá nas faias e a ramaria farfalha num suave gemido, o pó redemoinha e cai sobre o chão deserto. Ninguém. A vida mudou-se para o outro lado da Vila.

O comboio matou o Largo. Sob o rumor do rodado de ferro morreram homens que eu supunha eternos. O senhor Palma Branco, alto, seco, rodeado de respeito. Os três irmãos Montenegro, espadaúdos e graves. Badina fraco e repontão. O Estróina, bêbado, trocando as pernas, de navalha em

punho. O Má Raça, rangendo os den­tes, sempre enraivecido contra tudo e todos. O lavra­dor de Alba Grande, plantado ao meio do Largo com a sua serena valentia. Mestre Sobral. Ui Cotovio, rufião, de caracol sobre a testa. O Acácio, o bebedola do Acácio, tirando retratos, curvado debaixo do grande pano preto. E, lá ao cimo da rua, esgalgado, um homem que eu nunca soube quem era e que aparecia subitamente à esquina, olhando cheio de espanto para o Largo.

 

Nesse tempo, as faias agitavam-se, viçosas. Ace­navam rudemente os braços e eram parte de todos os grandes acontecimentos. À sua sombra, os palhaços faziam habilidades e dançavam ursos selvagens. À sua sombra, batiam-se os valentes; junto do tronco de uma faia caiu morto António Valmorim, temido pelos ho­mens e amado pelas mulheres.

 

Era o centro da Vila. Os viajantes apeavam-se da diligência e contavam novidades. Era através do Largo que o povo comunicava com o mundo. Também, à fal­ta de notícias, era aí que se inventava alguma coisa que se parecesse com a verdade. O tempo passava, e essa qualquer coisa inventada vinha a ser a verdade. Nada a destruía: tinha vindo do Largo. Assim, o Largo era o centro do mundo.

 

Quem lá dominasse, dominava toda a Vila. Os mais inteligentes e sabedores desciam ao Largo e daí instruíam a Vila. Os valentes erguiam-se no meio do Largo e desafiavam a Vila, dobravam-na à sua vonta­de. Os bêbados riam-se da Vila, cambaleando, esta­vam-se nas tintas para todo o mundo, quem quisesse que se ralasse, queriam lá saber — cambaleavam e caíam de borco. Caíam ansiados de tristeza no pó branco do Largo. Era o lugar onde os homens se sentiam grandes em tudo que a vida dava, quer fosse a valentia, ou a inteligência, ou a tristeza.

 

Os senhores da Vila desciam ao Largo e falavam de igual para igual com os mestres alvanéis, os mestres-ferreiros. E até com os donos do comércio, com os camponeses, com os empregados da Câmara. Até, de igual para igual, com os malteses, os misteriosos e ar­rogantes vagabundos. Era aí o lugar dos homens, sem distinção de classes. Desses homens antigos que nunca se descobriam diante de ninguém e apenas tiravam o chapéu para deitar-se.

 

Também era lá a melhor escola das crianças. Aí aprendiam as artes ouvindo os mestres artífices, olhan­do os seus gestos graves. Ou aprendiam a ser valentes, ou bêbados, ou vagabundos. Aprendiam qualquer coisa e tudo era vida. O Largo estava cheio de vida, de valentias, de tragédias. Estava cheio de grandes rasgos de inteligência. E era certo que a criança que apren­desse tudo isto vinha a ser poeta e entristecia por não ficar sempre criança a aprender a vida — a grande e misteriosa vida do Largo.

 

A casa era para as mulheres.

 

No fundo das casas, escondidas da rua, elas pen­teavam as tranças, compridas como caudas de cavalos. Trabalhavam na sombra dos quintais, sob as parreiras. Faziam a comida e as camas — viviam apenas para os homens. E esperavam-nos, submissas.

 

Não podiam sair sozinhas à rua porque eram mu­lheres. Um homem da família acompanhava-as sem­pre. Iam visitar as amigas, e os homens deixavam-nas à porta e entravam numa loja que ficasse perto, à espe­ra que saíssem para as levarem para casa. Iam à missa, e os homens não passavam do adro. Eles não entravam em casas onde fossem obrigados a tirar o chapéu. Eram homens que, de qualquer modo, dominavam no Largo.

 

Veio o comboio e mudou a Vila. As lojas enche­ram-se de utensílios que, antes, apenas se vendiam nos ferreiros e nos carpinteiros. O comércio desenvol­veu-se, construiu-se uma fábrica. As oficinas faliram, os mestres-ferreiros desceram a operários, os alvanéis passaram a chamar-se

pedreiros e também se transfor­maram em operários. Apareceu a Guarda, substituiu os pachorrentos cabos de paz, e prendeu os valentes. As mulheres cortaram os cabelos, pintaram a boca e saem sozinhas. Os senhores tiram agora os chapéus uns aos outros, fazem grandes vénias e apertam-se as mãos a toda a hora. Vão à missa com as mulheres, passam as tardes no Clube, e já não descem ao Largo. Apenas os bêbados e os malteses se demoram por lá nas tardes de domingo.

 

Hoje, as notícias chegam no mesmo dia, vindas de todas as partes do mundo. Ouvem-se em todas as vendas e nos numerosos cafés que abriram na Vila. As telefonias gritam tudo que acontece à superfície da terra e das águas, no ar, no fundo das minas e dos oceanos. O mun­do está em toda a parte, tornou-se pequeno e íntimo para todos. Alguma coisa que aconteça em qualquer região todos a sabem imediatamente, e pensam sobre ela e to­mam partido. Ninguém já desconhece o que vai pelo mundo. E alguma coisa está acontecendo na terra, algu­ma coisa terrível e desejada está acontecendo em toda a parte. Ninguém fica de fora, todos estão interessados.

 

A Vila dividiu-se. Cada café tem a sua clientela própria, segundo a condição de vida. O Largo que era de todos, e onde apenas se sabia aquilo que a alguns interessava que se soubesse, morreu. Os homens sepa­raram-se de acordo com os interesses e as necessida­des. Ouvem as telefonias, lêem os jornais e discutem. E, cada dia mais, sentem que alguma coisa está acon­tecendo.

 

Também as crianças se dividiram: brincam em comum apenas as da mesma condição; param às portas dos cafés que os pais ou irmãos mais velhos frequen­tam. O Largo, agora, é todo o vasto mundo. É lá que estão os homens, as mulheres e as crianças. No outro Largo, só os bêbados e os madraços dos malteses — e aqueles que não querem acreditar que tudo mudou. O certo é que ninguém já liga importância a esta gente e a este Largo.

 

As grandes faias ainda marginam o Largo como antigamente e, à sua sombra, João Gadunha ainda tei­ma em continuar a tradição. Mas nada é já como era. Todos o troçam e se afastam.

 

João Gadunha, o bêbado, fala de Lisboa, onde nunca foi. Tudo nele, os gestos e o modo solene de falar, é uma imitação mal pronta dos homens que ouviu quando novo.

 

— Grande cidade, Lisboa! — diz ele. — Aquilo é gente e mais gente, ruas cheias de pessoal, como numa feira!

 

Gadunha supõe que em Lisboa ainda há largos e homens como ele conheceu, ali, naquele Largo margi­nado pelas velhas faias. A sua voz ressoa, animada:

 

—   Querem vocês saber? Uma tarde, estava eu no Largo do Rossio...

 

—   No Largo do Rossio?

 

—   Sim, rapaz! — afirma Gadunha erguendo a ca­beça, cheio de importância. — Estava eu no Largo do
Rossio a ver o movimento. Vá de passar o pessoal para baixo, famílias para cima, um mundo de gente, e eu aver. Nisto, dou com um tipo a olhar-me de esguelha. Cá está um larápio, pensei eu. Ora se era!... Veio-se
chegando, assim como quem não quer a coisa, e me­teu-me a mão por baixo da jaqueta. Mas eu já estava à
espera!... Salto para o lado e, zás, atiro-lhe uma pu­nhada nos queixos: o tipo foi de gangão, bateu com a
cabeça num eucalipto e caiu sem sentidos!

 

Uma gargalhada acolhe as últimas palavras do Gadunha.

 

— Um eucalipto?

 

Apenas por um pormenor, estragou uma tão bela história. Fosse antigamente, todos ouviriam calados. Agora, sabem tudo e riem-se. Mas Gadunha teima. Diz que sim, que já esteve no Largo do Rossio, lá em Lisboa.

 

— Vocês já viram um largo sem eucaliptos, ou faias, ou outra árvore qualquer? — pergunta ele, des­norteado.

 

Todos se afastam, rindo.

 

João Gadunha fica sozinho e triste. Os olhos arra­sam-se-lhe de água, a bebedeira dá-lhe para chorar. Agarra-se às faias, abraça-as, e fala-lhes carinhosa­mente. Aperta-as contra o peito, como se tentasse abarcar o passado. E as suas lágrimas molham o tronco carunchoso das faias.

 

Vai morrendo assim o Largo. Aos domingos, é ainda maior a dor do Largo moribundo. Vão todos para os cafés, para o cinema ou para o campo. O Largo fica deserto sob a ramaria das faias silenciosas.

 

É nesses dias, pelo fim da tarde, que o velho Ranito sai da venda rangendo os dentes. Outrora, foi mestre-artífice; era importante e respeitado. Hoje, é tão pobre e sem préstimo que nem sabe ao certo o número dos filhos. Apenas sabe embebedar-se. Pequeno e fraco, o vinho transforma-o. Entesa-se, ergue o cacete e, sem dobrar os joelhos, apenas com um golpe de pés, pula para o ar e dá três cacetadas no pó do Largo antes de tocar de novo com os pés no chão. Ergue a cabeça e grita, estonteado:

 

— Se há aí algum valente, que salte para aqui!

 

Mas já não há nenhum valente no Largo, já não há ninguém no Largo. Ranito olha em volta com o olha espantado.

 

A vista turva-se-lhe, range os dentes:

 

— Ah vida, vida!...

 

Volteia o cacete sobre a cabeça. Vai de roda, fe­roz, pelo Largo ermo de vida, atirando cacetadas con­tra o chão. Vai, de cinta solta rojando, ágil e ridículo, a desafiar homens que já morreram.

 

Até que se cansa naquela luta desigual. O cacete despega-se-lhe das mãos e ele fica lasso, desequilibra­do. Aos tropeções, pende para a frente e cai, tem que cair, o Largo já morreu, ele não quer, mas tem de cair. Pesado de bebedeira e de desgraça, cai vencido.

 

Uma nuvem de poeira ergue-se; depois, tomba vagarosa e triste. Tomba sobre o Ranito esfarrapado e tapa-o.

 

Ele já não pode ver que o Largo é o mundo fora daquele círculo de faias ressequidas. Esse vasto mundo onde qualquer coisa, terrível e desejada, está aconte­cendo.

 

(in O Fogo e as Cinzas, Editorial Caminho)

(ilustração de Adão Cruz)


domingo, 25 de abril de 2021

Liberdade, sempre! " A minha vida é o mar o abril a rua"




Poema                    


A minha vida é o mar abril a rua 
O meu interior é uma atenção voltada para fora
O meu viver escuta
A frase que de coisa em coisa silabada
Grava no espaço e no tempo a sua escrita

Não trago Deus em mim mas no mundo o procuro
Sabendo que o real o mostrará

Não tenho explicações
Olho e confronto
E por método é nu meu pensamento

A terra o sol o vento o mar
São a minha biografia e são meu rosto

Por isso não me peçam cartão de identidade
Pois nenhum outro senão o mundo tenho
Não me peçam opiniões nem entrevistas
Não me perguntem datas nem moradas
De tudo quanto vejo me acrescento

E a hora da minha morte aflora lentamente
Cada dia preparada


                                                Sophia de Mello Breyner Andresen

Lutemos pela liberdade, sempre!





 

sexta-feira, 23 de abril de 2021

Bernardo Santareno no centro da Escola

 


No "Dia Mundial do Livro", fazemos uma justa homenagem a Bernardo Santareno, considerado o maior dramaturgo do século XX.








No ano em que se comemora o centenário de Bernardo Santareno, considerado o maior dramaturgo do século XX, a nossa Biblioteca Escolar, em conjunto com as nossas escolas parceiras  da "Humaniza+ação - Escola Feliz- Criadores de Futuro", propõe a leitura, em voz alta, de alguns excertos do seu livro Nos Mares do Fim do Mundo.

 Desta obra marcante, esgotada durante décadas, selecionámos algumas crónicas, que se encontram nos "destaques" do "Repositório de Leitura" da Biblioteca Digital (: https://esfb.sharepoint.com/bib/sub2) , prontas para serem lidas, entusiasticamente, por todos vós. 

A BE conta, como sempre, convosco, na divulgação, junto dos nossos alunos, da vida e obra do grande Santareno, o escritor dos valores universais. 

Grata saudação literária, "para além dos olhos..." 

                                                                 Maria João Martins
                                                             (Professora Bibliotecária)


Sinopse da obra





Iniciativas no "Dia Mundial do Livro"







No Dia Mundial do Livro, 23 de abril, a iniciativa ManiFESTA-te pela Leitura regressa, em formato online, quebrando as barreiras físicas e incentivando à participação de todos na Marcha pela Leitura.

A primeira manifestação aconteceu em 2019, com encontro na Praça Luís de Camões, onde os manifestantes se juntaram e exibiram palavras de ordem para lembrar a importância do livro e da leitura.

Este ano o ManiFESTA-te pela LEITURA está de volta, convidando todos a fazerem parte desta marcha virtual. Descarregue ou capture as imagens dos nossos cartazes, disponíveis nas redes sociais e no Portal do PNL2027 (C1/C2/C3/ C4), escreva as suas palavras de ordem e partilhe-os nas redes, com a identificação @pnl2027 e #manifestatepelaleitura.

Neste contexto de celebração, veja ainda os 10 vídeos com leituras feitas por mediadores culturais que o PNL2027 preparou para si – Se tu Lesses o que eu Li, uma proposta concretizada pela Andante e entretecida com as vozes e os corações de Ana Sofia Paiva, Andreia Brites, Cristina Paiva, Cristina Taquelim e Elsa Serra. Os seus livros, as suas leituras, as suas paixões.

Às 14.30h, o Encontro em Linha com Escritores recebe Mia Couto, autor moçambicano amplamente reconhecido, com quem vamos animar, mais uma vez, os Clubes de Leitura nas Escolas. O Encontro dirige-se aos alunos do Ensino Secundário e será transmitido no Youtube do PNL2027.

A fechar o Programa do Dia Mundial do Livro, venha Falar de Livros, uma conversa às 16.30h com Cristina Ovídio, da Livraria Menina e Moça; António Vaz Pato, estudante do Ensino Superior; Diogo Madre de Deus, da Editora Cavalo de Ferro, Teresa Calçada, Comissária do PNL2027, e João Costa, Secretário de Estado Adjunto e da Educação.

Divulgue e participe!

Dia 23 #manifestatepelaleitura @pnl2027

Cumprimentos,

Teresa Calçada

terça-feira, 20 de abril de 2021

Recursos educativos sobre Bernardo Santareno, no ano dos 100 anos do seu aniversário

 


O Cerco (1970) - Entrevista Bernardo Santareno


Fonte: Youtube

Visionem os documentários «Mulheres em Portugal»!








Qual é hoje o retrato da condição feminina no país? Através das histórias de vida de oito mulheres, este novo documentário revela o caminho percorrido pelas mulheres em Portugal nos últimos 40 anos.

Em dois episódios, um olhar sobre avanços e conquistas, mas também sobre as desigualdades que se mantém: profissionais e salariais, o trabalho não pago ou a violência doméstica.

Um retrato das mulheres em Portugal em 2021 e do futuro que queremos construir. Uma co-produção da Fundação com a RTP, com narração de Carlos Daniel.

Hoje, 19 de Abril, 21h, na RTP1
Emissão da primeira parte «Mulheres em Portugal»


Dia 22 de Abril, 21h, na RTP1
Emissão da segunda parte «Mulheres em Portugal»

Fonte: Fundação Manuel dos Santos


sexta-feira, 9 de abril de 2021

As Pessoas Sensíveis...


As Pessoas Sensíveis


As pessoas sensíveis não são capazes 
De matar galinhas 
Porém são capazes 
De comer galinhas 

O dinheiro cheira a pobre e cheira 
À roupa do seu corpo 
Aquela roupa 
Que depois da chuva secou sobre o corpo 
Porque não tinham outra 
O dinheiro cheira a pobre e cheira 
A roupa 

Que depois do suor não foi lavada 
Porque não tinham outra 

«Ganharás o pão com o suor do teu rosto» 
Assim nos foi imposto 
E não: 
«Com o suor dos outros ganharás o pão» 

Ó vendilhões do templo 
Ó construtores 
Das grandes estátuas balofas e pesadas 
Ó cheios de devoção e de proveito 

Perdoai-lhes Senhor 
Porque eles sabem o que fazem. 

 

Sophia de Mello Breyner Andresen, in "Livro Sexto" (2.ª Ed. 1964)

Eis a sugestão de leitura para o fim de semana... Conto "O Largo" de Manuel da Fonseca


No Largo, o “centro do mundo”,  adormece um passado, onde havia vida, alegria, convívio e harmonia entre todas as pessoas. Porém, o progresso chegou, trazendo o comboio e a rádio, que alteraram, completamente, os hábitos das pessoas. Quem permaneceu no largo?  Vamos saber?!

Leiam este conto fantástico...!


O Largo  


 


Antigamente, o Largo era o centro do mundo. Hoje, é apenas um cruzamento de estradas, com casas em volta e uma rua que sobe para a Vila. O vento dá nas faias e a ramaria farfalha num suave gemido, o pó redemoinha e cai sobre o chão deserto. Ninguém. A vida mudou-se para o outro lado da Vila.

O comboio matou o Largo. Sob o rumor do rodado de ferro morreram homens que eu supunha eternos. O senhor Palma Branco, alto, seco, rodeado de respeito. Os três irmãos Montenegro, espadaúdos e graves. Badina fraco e repontão. O Estróina, bêbado, trocando as pernas, de navalha em

punho. O Má Raça, rangendo os den­tes, sempre enraivecido contra tudo e todos. O lavra­dor de Alba Grande, plantado ao meio do Largo com a sua serena valentia. Mestre Sobral. Ui Cotovio, rufião, de caracol sobre a testa. O Acácio, o bebedola do Acácio, tirando retratos, curvado debaixo do grande pano preto. E, lá ao cimo da rua, esgalgado, um homem que eu nunca soube quem era e que aparecia subitamente à esquina, olhando cheio de espanto para o Largo.